14.3.12

FAVAS CONTADAS...


Fui à horta e já lá estavam, as primeiríssimas deste ano, colhidas  uma a uma com cuidado e reverência por estes sinais que a Primavera nos traz. Ainda são poucas, eu sei, mas merecem um especial e doce destaque.
Vagem a vagem, pele a pele , fui somando e pesando antecipando a euforia de algo diferente e incrivelmente delicioso.
Que venham mais que estas já são favas contadas :)
Queques de fava
(rendem 8 )
Massa
100 g de manteiga sem sal
150 g de açúcar em pó
3 ovos (ou 2 grandes)
70 g de farinha de espelta integral (podem usar a que quiserem)
1/3 de c. chá de fermento para bolos
100 g de amêndoa em pó
60 g de favas (retiradas das 150g que foram cozidas em calda)*

Cobertura
150 g de favas
60 g de açúcar (usei demerara)
grãos de baunilha
150 g de água
nozes (ou amêndoas para decorar)
Aquecer o açúcar, a baunilha e a água em lume alto até o açúcar dissolver.Adicionar as favas (previamente cozidas e sem pele) e deixar absorver a calda durante 2 min. Desligar o lume.
Escorrer a calda das favas para um recipiente. Reservar.
Retirar 60 g das favas escorridas e esmagar com um garfo.
Bater a manteiga com o açúcar em pó. Juntar gradualmente os ovos e a mistura de farinhas e fermento (previamente peneirados), batendo entre cada adição.Envolver o puré de favas.
Deitar em formas untadas com manteiga (ou de silicone) e por cima de cada uma colocar algumas favas inteiras (reservadas da calda) e nozes picadas.
Levar a cozer em forno pré-aquecido a 170º cerca de 20 minutos.
Retirar das formas colocar numa rede e pincelar cada um com a calda.Posted by Picasa

5.1.12

BAGELS AO PEQUENO-ALMOÇO



Hoje apeteceu-me repetir esta receita que já tinha experimentado há uns anos e que nunca cheguei a publicar (as fotos são dessa altura).
Apesar de actualmente serem associados ao pequeno-almoço dos Nova Iorquinos são originários dos judeus da Europa de Leste.
Pessoalmente adoro comê-los torrados. Basta retirá-los directamente do congelador (onde foram guardados já cortados ao meio) e introduzir na torradeira. A sua textura característica (exterior brilhante e esponjoso e interior denso e tenro) resulta do facto de serem previamente escalfados em água antes de irem ao forno.

O único local onde se encontram à venda (na versão simples e com sementes) , pelo menos que eu saiba, é na padaria do Corte Inglés. Mas não há razão para não se poderem fazer em casa, sobretudo porque a receita que aqui trago também pode ser adaptada às Máquinas de Fazer Pão utilizando-se o programa Massa, o que reduz consideravelmente todo o processo de preparação.

INGREDIENTES

500 g de farinha T 65 (usei espelta)
1 1/2 c.de sopa de açúcar
350 ml de água
2 c. de chá de fermento seco (ou 15 g de fresco)
1 1/2 de chá de sal
sementes de sésamo e de papoila q.b. para polvilhar

Misturar o fermento e o açúcar com 100 ml da água numa taça. Aguardar cerca de 5 min. Deitar a farinha para uma taça grande e envolver o sal. Fazer uma cova no centro e verter a água com o fermento. De seguida, adicione mais 125 ml da água e misture bem com a farinha. A restante água vai-se adicionando gradualmente até obter uma massa firme e húmida.
Deitar a massa numa superfície de trabalho polvilhada de farinha. Amassar cerca de 10 min. até ficar macia e elástica. Se necessário adicionar mais farinha para amassar melhor.
Formar uma bola e colocar a massa numa taça untada, virando-a para a revestir. Cobrir com um pano de cozinha. Deixar levedar cerca de 1h ou até duplicar de tamanho. Retire da taça e deixe em repouso mais 10 minutos. Cortar em 8 pedaços. Tender cada pedaço numa bola. Inserir um dedo enfarinhado no centro de cada uma, esticando e alargando esse buraco.
Colocar os bagels num tabuleiro de ir ao forno levemente untado (uso um tapete de silicone). Cobrir com um pano húmido e deixar descansar durante 10 minutos. Entretanto levar água a ferver numa panela grande e quando começara ferver reduzir o lume. Deitar dois bagels de cada vez, nessa água, com uma escumadeira, e ferver cerca de 1minuto até subirem à superfície, virando-os uma vez. Retire e deixe escorrer num tabuleiro de rede ou grelha.
Tranferir os bagels escorridos para o tabuleiro de ir ao forno, pincelar com água (ou clara de ovo) , polvilhar com as sementes e levar a cozer durante 20 minutos em forno pré-aquecido a 200º-220º até ficarem dourados.

12.12.11

MINI-BRIOCHES E ERVA MATE


Pronto reconheço que estes bolinhos/queques/muffins/o que quiserem chamar-lhe foram um pretexto para pôr em destaque a minha taça própria para degustar chá de erva-mate...não é linda?

"De acordo com uma lenda da América do Sul a Erva Mate foi o prêmio dado pelos deuses a um herói guerreiro que abateu em luta justa um enorme jaguar. O deus fez nascer a planta e ensinou a usar a bebida para recuperar as forças. Mais para o Sul os charruas contam que um enviado de Tupã, em agradecimento à hospitalidade de Itabaetê e sua filha Yarí, presenteou-os com uma planta "repleta de folhas verdes, donde se desprendia um perfume de bondade, talvez o mesmo perfume de Tupã". Disse ainda Deus à Yiarí - "serás a protetora das florestas que haverão de surgir. Os guerreiros provarão a mesma delícia de teu carinho ao sorver esta bebida: as caminhadas de guerra serão menos fatigantes e os dias do descanso mais felizes".



Desde então a erva mate (Caa Yiarí) passou a ser a principal bebida dos povos do sul e centro sul do país, e também dos países vizinhos, Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia.

Tradicionalmente, a folhagem verde seca e moída é colocada numa cuia de cabaça, também chamada de porongo ou purunga, com uma bomba - o tubo de prata alargado na ponta em forma de coador ( o que estão a ver na imagem). Vertendo-se água fria, toma-se o tererê. Vertendo-se água quente toma-se o mate ou o chimarrão.
O tererê ou chimarrão são complemento de sociabilidade, ou seja, deve-se tomar acompanhado de outras pessoas e obedecendo a certo ritual:
Colocar o mate na cuia até ocupar 2/3; acomodar a erva de um lado da cuia; colocar no fundo da cuia, água fria ou morna, só molhando o fundo. Deixar até que a erva fique inchada. Tapar o bocal do tubo de prata com o polegar e levar até o fundo da cuia. Encher a cuia com água quente (nunca fervida). O mateador (eu fiz isso...eh eh eh) sorve e cospe a primeira infusão porque é muito amarga. Volta a encher a cuia e é o primeiro a beber. Enche de novo e oferece a primeira pessoa a sua direita...voluntários ;)?
Para ficarem a conhecer as propriedades deste chá consultem o link abaixo.



E agora o acompanhamento...

 
INGREDIENTES

1 iogurte de soja natural
3 ovos
1/2 caixa do iogurte de azeite
1  caixa  "      "  de açúcar integral (usei demerara)
3 caixas "      "   de farinha de trigo T65
1 saqueta de fermento
1 tablete de chocolate preto (100 g)
1 pitada de sal

Deitar o iogurte numa taça, juntar os ovos e o azeite e de seguida o açúcar, o sal, a farinha e o fermento. Misturar até envolver tudo. Colocar uma colher de sopa em cada uma das formas e por cima um quadrado de chocolate. Cobrir com outra colher de sopa da massa. Levar a cozer cerca de 10 min.  no forno pré aquecido a 180º.           

http://www.erva-mate.com/beneficios_da_erva_mate.html

6.11.11

MUFFINS DE MILHO E UM DOCE INESPERADO


Estes muffins são a versão mini do pão de milho tradicional. Por isso sintam-se à vontade para o fazer numa versão pão-de-forma para fatiar. Tem um sabor quase neutro que combina na perfeição com qualquer coisa doce ou então como acompanhamento de refeição salgada, bastando para isso retirar-lhe o açúcar e acrescentar azeitonas picadas, pimento, ou qualquer erva, à massa.
Desta vez foram a tela perfeita para um doce feito com bagas de sabugueiro apanhadas nas traseiras da igreja perto de minha casa. É verdade, em Lisboa existem muitas árvores de fruto desperdiçadas e faz-me pena deixar estragar em tempo de crise.

Mas atenção, não se ponham para aí a recolher frutos pela cidade sem ter a absoluta certeza de que são comestíveis...no caso dos sabugueiros existem alguns arbustos semelhantes mas cujas bagas são tóxicas.


Quando apanhava as bagas vinha-me à ideia a quantidade de pessoas desocupadas que preferem pedir esmola o dia inteiro com um ar estudadamente sofredor, sentadas a observar aqueles que correm para os empregos e regressam ao fim do dia para as suas casas também a correr para fazer o jantar...




Ingredientes (para 12 muffins)





125 g de farinha de milho (1/2 cháv.)
250 g de farinha de trigo T65 (1 cháv.)

50 g de açúcar (1/4 cháv.)

15 g de fermento p/ bolos (1 colh. sopa)

5 g de sal (1 c. de chá)

375 ml de leite (1 1/2 cháv.)

175 g de manteiga (3/4 cháv.)

2 ovos



Aquecer o forno a 200º. Untar 12 forminhas (não é necessário se usar de silicone) ou uma forma de bolo inglês (se optar por fazer um pão). Misturar as farinhas, o açúcar, o fermento e o sal. Bater os ovos, levemente, à parte. Adicionar o leite e a manteiga, previamente derretida e arrefecida. Mexer bem. Juntar esta mistura à das farinhas. Colocar nas formas. Levar ao forno cerca de 18-20 min. até ficarem ligeiramente douradas. Se for pão aumentar o tempo cerca de 5-7 minutos.

4.11.11

TARTE DE ABÓBORA E TOFU COM ESPECIARIAS






A minha cozinha foi invadida por abóboras de todos os tamanhos e feitios. Sempre que consigo arranjar tempo ( e força...) agarro num daqueles gigantes e transformo-me num verdadeiro Hércules da cozinha com uma faca gigante e reduzo-as a inofensivos cubinhos bem comportados que guardo na minha arca congeladora à espera de inspiração. Desta vez lembrei-me do livro de Rose Elliot "O Chef da Cozinha Vegetariana" e resolvi repetir uma receita que já tinha experimentado há dois anos nesta época do Natal.
A Rose Elliot é uma cozinheira "colorida" como eu gosto e está a anos luz da oferta que existia para os vegetarianos, macrobióticos e vegans quando eu tinha dezoito anos...altura em que este tipo de alimentação era "cinzento" e triste e a oferta quase inexistente.
O aroma e o sabor das especiarias é fundamental para enriquecer este doce.

INGREDIENTES



massa:


.300 g de farinha integral fina de trigo

.150 g de manteiga ou margarina vegan (i.e. vegetal)

.1/2 colh. de chá de sal

.água fria (usei três colh. de sopa)

.açúcar em pó para polvilhar (usei demerara mascavado claro pulverizado na bimby)

.leite de soja ( usei 3 colh. de sopa)

.canela moída para polvilhar

recheio:


.500 g de abóbora cozida

.275 g de tofu

.125 g de açúcar amarelo (usei o mesmo referido em cima)

.1 colh. de sopa de melaço de cana

.1 colh. de sopa de canela

.1/2 colh. de chá de gengibre moído

.1/2 colher de chá de raspa de noz moscada



Cozi a abóbora em cubos e enquanto escorria misturei a farinha a manteiga e o sal na bimby durante 1 min na vel. espiga e depois uns segs. na vel.6 até ficar com aspecto de migalhas de pão grossas ( pode-se misturar com os dedos numa tigela). Depois juntei a água e bati na vel.6 até formar uma massa moldável. Coloquei esta sobre um tapete de silicone estendi-a em forma de círculo e coloquei-a numa forma de fundo amovível (de cerâmica e lados de silicone) ajustando-a bem e cortando o excesso ( que reservei).
Depois misturei a abóbora com os outros ingredientes do recheio e reduzi tudo a puré no copo da bimby à vel.5 durante uns segs. que introduzi na forma alisando a parte de cima.Voltei a amassar (à mão) os restos de massa estiquei e pincelei com leite de soja e polvilhei com açúcar e canela. Cortei às tiras e coloquei por cima do recheio atravessadas.

Foi a cozer em forno pré-aquecido a 180º durante 40 min. A cobertura tem que ficar estaladiça.

Pode comer-se quente ou frio.

Pessoalmente acho que fica óptimo ligeiramente aquecido com natas de soja ou gelado ou iogurte e até mousse de lima.

NOTA: podem experimentar utilizar massa folhada ou massa filo em alternativa à massa que aqui refiro.