Adeus Cozinha das Cores

Não consigo viver sem me reconstruir diariamente.
Quando as coisas deixam de fazer sentido para mim procuro novos caminhos, sem ficar presa a formatos com os quais deixei de me identificar. Não gosto de estagnar. 
Sou uma apaixonada pela cozinha e por tudo o que esteja relacionado com ela. Penso que nunca deixarei de o ser. Tal como outras coisas na minha vida, que me definem, esta é uma delas. Senti necessidade de criar um espaço onde pudesse registar uma coisa que faz muito sentido para mim. Começou tudo de forma muito ingénua, sem grandes expectativas. Foi a vontade de partilhar conhecimentos e ao mesmo tempo de testar a minha capacidade de conseguir criar um blogue sem ajuda, numa altura em que muita gente não sabia o que isso era.
Os primeiros comentários às primeiras publicações apanharam-me de surpresa. Vieram carregados de calor e incentivo. Tal como o meu, quase todos os outros blogues eram genuinamente amadores. Comecei a criar laços com algumas das pessoas. É impossível não deixar de o fazer. Um pouco da nossa personalidade fica gravada aqui, mesmo que pensemos que ela fica resguardada na distância segura de um computador.
Depois, aos poucos, foi-se instalando a insatisfação. A vontade de melhorar a parte técnica e estética, de tornar o blogue num projecto mais consistente, mais adulto. Que consiga passar uma mensagem de forma mais apelativa.
Comecei a achar que este blogue já não me representava. Precisava de uma cara nova, de melhorar a qualidade das fotografias, de valorizar o que sei fazer.
Não é, para já, nenhum intuito económico que me move. Apenas a parte estética, que para mim é fundamental. 
Mas as exigências quotidianas nem sempre se compadecem com a minha necessidade de investir uma grande parte do meu tempo numa coisa que até agora só posso considerar como um hobby.
Para já, tive que pedir ajuda a quem sabe melhor do que eu, neste processo de mudança, mas sem desvirtuar aquilo que sou. 
O cozinha das cores vai deixar de existir mas o meu projecto continua. Agora podem encontrar-me aqui



Pizza Alsaciana




Os italianos mais puristas que me perdoem mas este fim de semana apeteceu-me fazer uma pizza com um aspecto napolitano traindo descaradamente todos os canones da sua tradição.
Esta massa já tinha sido testada anteriormente e foi um verdadeiro sucesso. Faz-se rapidamente e chega à mesa num ápice. O ideal para nos simplificar a vida. É o verdadeiro achado.
Esta descoberta feliz nasceu de uma pesquisa que fiz sobre o significado da palavra alemã Flammkuchen. Fiquei a saber que foi criada por agricultores alemães da Alsácia, tendo servido originariamente para testar o calor dos fornos de lenha: as brasas eram empurradas para um canto de forma a dar espaço a esta massa no meio do forno, a qual cozia em calor intenso em cerca de 1 a 2 minutos.A crosta que formava nos cantos era quase queimada pelas chamas, o nome vem desta forma de cozimento.
Actualmente há quem confeccione esta massa com fermento de padeiro e ovo. Pessoalmente penso que não faz sentido a introdução destes dois ingredientes porque torna o processo mais demorado, obrigando a um tempo de descanso. Não são mesmo necessários.
Basta combinar farinha, azeite, sal e água, trabalhar rapidamente até obter uma massa homogénea e elástica esticando-a de seguida com um rolo sobre uma superfície enfarinhada até que fique bem fina.
Pode ser levada ao forno, aberta ou fechada. Deve ser cozida na temperatura mais alta possível do forno.

Ingredientes  (para duas pizzas)

Massa:
250g de farinha de trigo
2 colh. de sopa de azeite
sal q.b.
125 ml de água

Recheio:
Queijo philadélfia (usei uma embalagem)
Queijo da ilha ralado (usei 100 g)
1 bola de Mozzarella
1 curgete
8 cogumelos médios
sal e pimenta
2 cabeças de alho picadas
azeite qb
oregãos qb

Misturar os ingredientes da massa até obter uma consistência uniforme e elástica. Esticar o mais finamente possível  e colocar em formas furadas próprias para pizza.
Bater o queijo philadélfia de forma a ficar mais cremosoe fácil de espalhar (pode juntar uma colh. de sopa de natas), envolver o queijo da ilha previamente ralado. Temperar com pimenta.Reservar.
Lavar a courgete, retirar as pontas e cortar da forma que gostar (eu cortei em palitos). Fatiar os cogumelos.
Aquecer o azeite e os alhos picados numa frigideira e saltear rapidamente a curgete e os cogumelos de forma a que não fiquem demasiado cozinhados. Temperar com sal e pimenta.
Espalhar a mistura dos queijos cuidadosamente sobre a massa. Colocar os vegetais por cima e de seguida o mozzarella  esfarrapo com as mãos. Polvilhar com oregãos e regar com um fio de azeite.
Levar a cozer em forno pré-aquecido a 250º (ou a temperatura máxima que conseguir) cerca de 10 minutos.

KEEP IT SIMPLE




Há que aproveitar presentes destes  e tratá-los com o carinho que merecem...
As trufas são o melhor exemplo da simbiose perfeita na natureza. Alimentam-se das raízes da árvores e devolvem-lhes os nutrientes de que elas precisam. Uma razão suficiente para colhê-las criteriosamente pelos métodos ancestrais respeitando esse equilíbrio.
Existem muitas formas de as cozinhar mas, depois de muito pesquisar, achei que esta seria a melhor, a que iria valorizar verdadeiramente o seu sabor natural.



Lavei-as bem debaixo da torneira com uma escovinha suave para retirar a terra. Coloquei numa taça com água mudando várias vezes até esta sair limpa.
De seguida laminei-as com um descascador de legumes (com uma faca também é possível porque são tenras). De seguida foram rapidamente salteadas em azeite, alho e um pouco de tomilho e no final temperadas com flor de sal.
Deliciosas.


Pão de aveia trigo integral e espelta


Ultimamente tenho andado a fazer um pão diferente por dia. Cá por casa ainda ninguém se queixou, mesmo sabendo que quase nunca uso farinhas brancas. As provas de sabor e textura têm sido superadas ao fim de algumas tentativas menos felizes que acabaram em pães massudos e encruados.
Fico contente com o resultado dos meus esforços e teimosia. Os meus filhos já se tornaram consumidores exigentes e perceberam que o pão feito em casa é, na maioria das vezes, substancialmente mais saudável (e barato) do que o que se compra na padaria.

Ingredientes

2 colh. de chá de fermento seco (usei biológico)
350 ml de água
250g de farinha de trigo integral
125 g de farinha de espelta
125 g de farinha de aveia (triturei os flocos que tinha em casa )*
1 1/2 colh.de chá de sal
1 colh. de chá de mel
flocos de aveia para decorar

Preparação

Método manual:

Misturar o fermento com 100 ml de água numa taça. Deixar descansar por 5 min. Misturar as farinhas e o sal numa taça grande. Fazer uma cova no centro e deitar a água com o fermento e o mel. Adicionar metade da água reservada e envolva com as farinhas e vá juntando pouco a pouco a que reservou até formar uma massa forte e pegajosa.
Deite a massa numa superfície levemente polvilhada de farinha de aveia. Amasse até ficar durante cerca de 10 minutos até ficar macia e elástica. Colocar numa taça e cobrir com um pano deixando levedar cerca de 1:30 m ou até duplicar de tamanho. Decorrido este tempo pressione a massa com o punho para retirar o ar e deixe descansar 10 minutos.
De seguida tende-se a massa com a forma desejada: pão de forma ( neste caso deve untar-se uma forma com a capacidade de 500g ) ou outra.Cobrir novamente com o pano e deixar levedar novamente cerca de 1h.
Pincelar o pão com água e polvilhar com flocos de aveia. Cozer cerca de 1h em forno pré-aquecido a 230º até ficar castanho dourado e soar a oco quando lhe bater por baixo.

COMO EU FIZ:

Deitei os ingredientes (começando pelos líquidos ) na Máquina de fazer pão e marquei o programa amassar e levedar. Decorrido esse tempo retirei a massa da cuba e tendi a massa sobre uma superfície polvilhada com um pouco de farinha de milho dando-lhe uma foram oval e rústica.
Foi ao forno a cozer sobre uma pedra de terracota pré-aquecida a 230º durante 35 minutos.
Bastante menos dramático não?
Numa casa onde se faz muito pão todas as ajudas são bem recebidas :)

* A farinha de aveia encontra-se à venda  em lojas de produtos naturais e supermercados biológicos . Como tenho sempre pacotes de flocos integrais de aveia em casa (para fazer granola e barrinhas de cereais) triturei-os na Bimby vel.9.


Com mel , manteiga ou queijo....

Bolinhos de espelta e sementes de papoila


Pois é, ninguém resiste a um domingo de chuva intermitente sem que os habitantes da casa rondem constantemente a cozinha à procura de alguma coisa para aconchegar o tédio. A sorte é que existe sempre "alguém" que sente esta energia no ar e se encarrega de aplacar desejos.
Nada que um chá quente e uns bolinhos bem avantajados não resolva...




Ingredientes
250 g de farinha de espelta
1 1/2 colher de fermento para bolos
1/2 colher de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de sementes de papoila
1 ovo
175 ml de leite 
150g de açúcar (usei integral demerara)
raspa de 1 limão
60 g de manteiga sem sal (derretida)

Preparação

TRADICIONAL

Passar a farinha, o sal,  o fermento e o bicarbonato por um passador para uma taça. Juntar as sementes de papoila e envolver. Juntar os restantes ingredientes noutra taça e mexer até ficarem bem misturados. Verter esta mistura sobre a outra taça. Envolver com uma espátula até formar uma mistura húmida. Levar a cozer em formas (untadas e enfarinhadas ou de silicone) em forno pré-aquecido a 190º cerca de 20 minutos.

BIMBY

Tamisar a farinha, o sal,  o fermento e o bicarbonato no copo da bimby 20segs/vel.9. Retirar, juntar as sementes de papoila e reservar. Juntar os restantes ingredientes e programar 1 min./vel. 3,5. Adicionar a mistura seca e misturar 20 segs/vel.4-5.Repetir o restante processo descrito acima.