Malai Peda e um livro



Tenho uma amiga que sabe sempre quais são os livros que eu vou devorar rapidamente.Se existisse mesmo um " Cemitério dos livros esquecidos" * a casa dela seria a sucursal portuguesa. Cada livro que lemos aproxima-nos mais um passo do Mundo, areja-nos a alma enriquece-nos o espírito, faz-nos sonhar e, de alguma forma dá-nos esperança.
Pois aquele que acabei de ler recentemente , A VIAGEM DOS CEM PASSOS de Richard C. Morais , apesar de não ser um livro de receitas é estranha e deliciosamente comestível do principio ao fim.  Por isso resolvi pegar no nome de um doce indiano que lá vem referido pelo personagem principal como fazendo parte das suas memórias de infância para tentar reproduzir esse sabor que o fazia feliz e aproximar-me um pouco desse lugar do Mundo.
Obrigada Ana C.estes Malai Peda são dedicados a ti e à nossa amizade.

INGREDIENTES
1 1/2 cháv. de leite (gordo de preferência)


1 lata de leite condensado
1 colh. de sopa de farinha maizena
1/4 colh. chá de ácido cítrico
1/4 colh. chá de cardamomo em pó
1 colh. sopa de ghee (manteiga clarificada)
1 pitada de açafrão
pistachios picados para decorar

Aquecer a manteiga numa caçarola, juntar o leite condensado, o leite e o ácido cítrico (previamente dissolvido num pouco de água). Deixar coalhar e adicionar a maizena (dissolvida em água) e o açafrão. Continuar a cozinhar em lume brando até que a mistura se descole das paredes da caçarola, juntar o cardamomo, mexer e retirar do lume. Deixar arrefecer antes de moldar na forma de pedas. 

* in "A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón

NÃO É UM FOLAR

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Tenho este bolo na mira desde que comprei o Livro Massa e Doces da Bimby. Não sei o que nos faz gostar mais de uma receita em especial ou acreditar que a mistura de sabores irá resultar...mas este bolo pareceu-me perfeito para esta época da Páscoa e foi um verdadeiro sucesso no almoço de familia. São quatro texturas diferentes que se misturam logo na primeira garfada surtindo exactamente o efeito que eu imaginava. Por outro lado a presença da amêndoa não deixa de manter a tradição ainda que de forma subtil 

CROCANTE DE MAÇÃ

Cobertura

100 g de farinha (usei espelta)
100 g de açúcar
100 g de amêndoa ( pelada)
100 g de manteiga

Bolo base

190 g  de açúcar
50 g de amêndoas (pelada)
3 ovos
90 g de farinha (usei espelta)

Puré de Maçã

5 maçãs descascadas e descaroçadas (usei reineta)
100 g de água
1 pau de canela

Mousse de Queijo

4 folhas de gelatina incolor (usei agar-agar )
50 g de água
100 g de açúcar
3 gemas de ovo
400 g de natas
200 g de queijo fresco para barrar (usei Philadélfia)

Preparação da cobertura:
Pré- aquecer o forno a 180º. Colocar no copo da Bb todos os ingredientes e programar 20 segs/vel 4. Estender a massa num tabuleiro untado e levar ao forno cerca de 15 min. ou até dourar. Partir a massa grosseiramente, colocar num saco de plástico e reservar.

Preparação do bolo:
Colocar 100 g de açúcar numa frigideira anti-aderente em lume brando.Quando estiver derretido (se não acrescentar um pouco de água isso não acontece...) adicionar as amêndoas e envolver. Deitar numa superfície untada, espalhe e deixe arrefecer.Deitar no copo da Bb e pulverizar 10 segs/vel.9. Reservar.
Colocar a"borboleta", deitar o restante açúcar e os ovos e programar 5 min./37º/vel.3. Voltar a bater mais 3 min./vel.3. Retirar a borboleta e incorporar a farinha, a amêndoa triturada e misturar 15 segs/vel.3. Deitar numa forma com fundo removível de 25 cm previamente untada e polvilhada.
Levar ao forno pré-aquecido a 180º cerca de 15 min. Reservar.

Preparação do puré:
Deitar todos os ingredientes no copo e programar 15 min/100º/vel.1. Retirar o pau de canela e triturar 5 seg/vel.3. Deitar para um ataça e deixar arrefecer-

Preparação da mousse:
Deitar as folhas de gelatina (ou o agar-agar) numa taça com um pouco de água para hidratar. Reservar.
Colocar a "borboleta" no copo, a água, o açúcar , as gemas e programe 5 min/90º/vel.2.
Retirar a borboleta e programe 1 min/vel.3 deitando a gelatina escorrida através do bocal da tampa. Retirar o copo da base para que arrefeça. Incorpore as natas e o queijo e programe 30 segs/vel.3.

Montagem:
Deitar o puré sobre o bolo base, por cima do puré a mousse e por fim a cobertura reservada (este último passo no livro só se faz depois de desenforamar o bolo, mas pessoalmente, entendo que assim fica melhor). Levar ao frigorífico 4 horas no mínimo antes de desenformar. Antes de servir polvilhei com açúcar em pó. 

FAVAS CONTADAS...


Fui à horta e já lá estavam, as primeiríssimas deste ano, colhidas  uma a uma com cuidado e reverência por estes sinais que a Primavera nos traz. Ainda são poucas, eu sei, mas merecem um especial e doce destaque.
Vagem a vagem, pele a pele , fui somando e pesando antecipando a euforia de algo diferente e incrivelmente delicioso.
Que venham mais que estas já são favas contadas :)
QUEQUES DE FAVA
(rendem 8 )
Massa
100 g de manteiga sem sal
150 g de açúcar em pó
3 ovos (ou 2 grandes)
70 g de farinha de espelta integral (podem usar a que quiserem)
1/3 de c. chá de fermento para bolos
100 g de amêndoa em pó
60 g de favas (retiradas das 150g que foram cozidas em calda)*
Cobertura
150 g de favas
60 g de açúcar (usei demerara)
grãos de baunilha
150 g de água
nozes (ou amêndoas para decorar)
Aquecer o açúcar, a baunilha e a água em lume alto até o açúcar dissolver.Adicionar as favas (previamente cozidas e sem pele) e deixar absorver a calda durante 2 min. Desligar o lume.
Escorrer a calda das favas para um recipiente. Reservar.
Retirar 60 g das favas escorridas e esmagar com um garfo.
Bater a manteiga com o açúcar em pó. Juntar gradualmente os ovos e a mistura de farinhas e fermento (previamente peneirados), batendo entre cada adição.Envolver o puré de favas.
Deitar em formas untadas com manteiga (ou de silicone) e por cima de cada uma colocar algumas favas inteiras (reservadas da calda) e nozes picadas.
Levar a cozer em forno pré-aquecido a 170º cerca de 20 minutos.
Retirar das formas colocar numa rede e pincelar cada um com a calda.Posted by Picasa

BAGELS AO PEQUENO-ALMOÇO



Hoje apeteceu-me repetir esta receita que já tinha experimentado há uns anos e que nunca cheguei a publicar (as fotos são dessa altura).
Apesar de actualmente serem associados ao pequeno-almoço dos Nova Iorquinos são originários dos judeus da Europa de Leste.
Pessoalmente adoro comê-los torrados. Basta retirá-los directamente do congelador (onde foram guardados já cortados ao meio) e introduzir na torradeira. A sua textura característica (exterior brilhante e esponjoso e interior denso e tenro) resulta do facto de serem previamente escalfados em água antes de irem ao forno.

O único local onde se encontram à venda (na versão simples e com sementes) , pelo menos que eu saiba, é na padaria do Corte Inglés. Mas não há razão para não se poderem fazer em casa, sobretudo porque a receita que aqui trago também pode ser adaptada às Máquinas de Fazer Pão utilizando-se o programa Massa, o que reduz consideravelmente todo o processo de preparação.

INGREDIENTES

500 g de farinha  de espelta
1 1/2 c.de sopa de açúcar
350 ml de água
2 c. de chá de fermento seco (ou 15 g de fresco)
1 1/2 de chá de sal
sementes de sésamo e de papoila q.b. para polvilhar

Misturar o fermento e o açúcar com 100 ml da água numa taça. Aguardar cerca de 5 min. Deitar a farinha para uma taça grande e envolver o sal. Fazer uma cova no centro e verter a água com o fermento. De seguida, adicione mais 125 ml da água e misture bem com a farinha. A restante água vai-se adicionando gradualmente até obter uma massa firme e húmida.
Deitar a massa numa superfície de trabalho polvilhada de farinha. Amassar cerca de 10 min. até ficar macia e elástica. Se necessário adicionar mais farinha para amassar melhor.
Formar uma bola e colocar a massa numa taça untada, virando-a para a revestir. Cobrir com um pano de cozinha. Deixar levedar cerca de 1h ou até duplicar de tamanho. Retire da taça e deixe em repouso mais 10 minutos. Cortar em 8 pedaços. Tender cada pedaço numa bola. Inserir um dedo enfarinhado no centro de cada uma, esticando e alargando esse buraco.
Colocar os bagels num tabuleiro de ir ao forno levemente untado (uso um tapete de silicone). Cobrir com um pano húmido e deixar descansar durante 10 minutos. Entretanto levar água a ferver numa panela grande e quando começara ferver reduzir o lume. Deitar dois bagels de cada vez, nessa água, com uma escumadeira, e ferver cerca de 1minuto até subirem à superfície, virando-os uma vez. Retire e deixe escorrer num tabuleiro de rede ou grelha.
Tranferir os bagels escorridos para o tabuleiro de ir ao forno, pincelar com água (ou clara de ovo) , polvilhar com as sementes e levar a cozer durante 20 minutos em forno pré-aquecido a 200º-220º até ficarem dourados.

MINI-BRIOCHES E ERVA MATE

Pronto reconheço que estes bolinhos/queques/muffins/o que quiserem chamar-lhe foram um pretexto para pôr em destaque a minha taça própria para degustar chá de erva-mate...não é linda?
"De acordo com uma lenda da América do Sul a Erva Mate foi o prêmio dado pelos deuses a um herói guerreiro que abateu em luta justa um enorme jaguar. O deus fez nascer a planta e ensinou a usar a bebida para recuperar as forças. Mais para o Sul os charruas contam que um enviado de Tupã, em agradecimento à hospitalidade de Itabaetê e sua filha Yarí, presenteou-os com uma planta "repleta de folhas verdes, donde se desprendia um perfume de bondade, talvez o mesmo perfume de Tupã". Disse ainda Deus à Yiarí - "serás a protetora das florestas que haverão de surgir. Os guerreiros provarão a mesma delícia de teu carinho ao sorver esta bebida: as caminhadas de guerra serão menos fatigantes e os dias do descanso mais felizes".

Desde então a erva mate (Caa Yiarí) passou a ser a principal bebida dos povos do sul e centro sul do país, e também dos países vizinhos, Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia.
Tradicionalmente, a folhagem verde seca e moída é colocada numa cuia de cabaça, também chamada de porongo ou purunga, com uma bomba - o tubo de prata alargado na ponta em forma de coador ( o que estão a ver na imagem). Vertendo-se água fria, toma-se o tererê. Vertendo-se água quente toma-se o mate ou o chimarrão.
O tererê ou chimarrão são complemento de sociabilidade, ou seja, deve-se tomar acompanhado de outras pessoas e obedecendo a certo ritual:
Colocar o mate na cuia até ocupar 2/3; acomodar a erva de um lado da cuia; colocar no fundo da cuia, água fria ou morna, só molhando o fundo. Deixar até que a erva fique inchada. Tapar o bocal do tubo de prata com o polegar e levar até o fundo da cuia. Encher a cuia com água quente (nunca fervida). O mateador (eu fiz isso...eh eh eh) sorve e cospe a primeira infusão porque é muito amarga. Volta a encher a cuia e é o primeiro a beber. Enche de novo e oferece a primeira pessoa a sua direita...voluntários ;)?
Para ficarem a conhecer as propriedades deste chá consultem o link abaixo.

E agora o acompanhamento...
 
INGREDIENTES
1 iogurte de soja natural
3 ovos
1/2 caixa do iogurte de azeite
1  caixa  "      "  de açúcar integral (usei demerara)
3 caixas "      "   de farinha de trigo T65
1 saqueta de fermento
1 tablete de chocolate preto (100 g)
1 pitada de sal
Deitar o iogurte numa taça, juntar os ovos e o azeite e de seguida o açúcar, o sal, a farinha e o fermento. Misturar até envolver tudo. Colocar uma colher de sopa em cada uma das formas e por cima um quadrado de chocolate. Cobrir com outra colher de sopa da massa. Levar a cozer cerca de 10 min.  no forno pré aquecido a 180º.