MINI-BRIOCHES E ERVA MATE

Pronto reconheço que estes bolinhos/queques/muffins/o que quiserem chamar-lhe foram um pretexto para pôr em destaque a minha taça própria para degustar chá de erva-mate...não é linda?
"De acordo com uma lenda da América do Sul a Erva Mate foi o prêmio dado pelos deuses a um herói guerreiro que abateu em luta justa um enorme jaguar. O deus fez nascer a planta e ensinou a usar a bebida para recuperar as forças. Mais para o Sul os charruas contam que um enviado de Tupã, em agradecimento à hospitalidade de Itabaetê e sua filha Yarí, presenteou-os com uma planta "repleta de folhas verdes, donde se desprendia um perfume de bondade, talvez o mesmo perfume de Tupã". Disse ainda Deus à Yiarí - "serás a protetora das florestas que haverão de surgir. Os guerreiros provarão a mesma delícia de teu carinho ao sorver esta bebida: as caminhadas de guerra serão menos fatigantes e os dias do descanso mais felizes".

Desde então a erva mate (Caa Yiarí) passou a ser a principal bebida dos povos do sul e centro sul do país, e também dos países vizinhos, Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia.
Tradicionalmente, a folhagem verde seca e moída é colocada numa cuia de cabaça, também chamada de porongo ou purunga, com uma bomba - o tubo de prata alargado na ponta em forma de coador ( o que estão a ver na imagem). Vertendo-se água fria, toma-se o tererê. Vertendo-se água quente toma-se o mate ou o chimarrão.
O tererê ou chimarrão são complemento de sociabilidade, ou seja, deve-se tomar acompanhado de outras pessoas e obedecendo a certo ritual:
Colocar o mate na cuia até ocupar 2/3; acomodar a erva de um lado da cuia; colocar no fundo da cuia, água fria ou morna, só molhando o fundo. Deixar até que a erva fique inchada. Tapar o bocal do tubo de prata com o polegar e levar até o fundo da cuia. Encher a cuia com água quente (nunca fervida). O mateador (eu fiz isso...eh eh eh) sorve e cospe a primeira infusão porque é muito amarga. Volta a encher a cuia e é o primeiro a beber. Enche de novo e oferece a primeira pessoa a sua direita...voluntários ;)?
Para ficarem a conhecer as propriedades deste chá consultem o link abaixo.

E agora o acompanhamento...
 
INGREDIENTES
1 iogurte de soja natural
3 ovos
1/2 caixa do iogurte de azeite
1  caixa  "      "  de açúcar integral (usei demerara)
3 caixas "      "   de farinha de trigo T65
1 saqueta de fermento
1 tablete de chocolate preto (100 g)
1 pitada de sal
Deitar o iogurte numa taça, juntar os ovos e o azeite e de seguida o açúcar, o sal, a farinha e o fermento. Misturar até envolver tudo. Colocar uma colher de sopa em cada uma das formas e por cima um quadrado de chocolate. Cobrir com outra colher de sopa da massa. Levar a cozer cerca de 10 min.  no forno pré aquecido a 180º.           

MUFFINS DE MILHO E UM DOCE INESPERADO


Estes muffins são a versão mini do pão de milho tradicional. Por isso sintam-se à vontade para o fazer numa versão pão-de-forma para fatiar. Tem um sabor quase neutro que combina na perfeição com qualquer coisa doce ou então como acompanhamento de refeição salgada, bastando para isso retirar-lhe o açúcar e acrescentar azeitonas picadas, pimento, ou qualquer erva, à massa.
Desta vez foram a tela perfeita para um doce feito com bagas de sabugueiro apanhadas nas traseiras da igreja perto de minha casa. É verdade, em Lisboa existem muitas árvores de fruto desperdiçadas e faz-me pena deixar estragar em tempo de crise.

Mas atenção, não se ponham para aí a recolher frutos pela cidade sem ter a absoluta certeza de que são comestíveis...no caso dos sabugueiros existem alguns arbustos semelhantes mas cujas bagas são tóxicas.


Quando apanhava as bagas vinha-me à ideia a quantidade de pessoas desocupadas que preferem pedir esmola o dia inteiro com um ar estudadamente sofredor, sentadas a observar aqueles que correm para os empregos e regressam ao fim do dia para as suas casas também a correr para fazer o jantar...


Ingredientes (para 12 muffins)

125 g de farinha de milho (1/2 cháv.)
250 g de farinha de trigo T65 (1 cháv.)

50 g de açúcar (1/4 cháv.)

15 g de fermento p/ bolos (1 colh. sopa)

5 g de sal (1 c. de chá)

375 ml de leite (1 1/2 cháv.)

175 g de manteiga (3/4 cháv.)

2 ovos

Aquecer o forno a 200º. Untar 12 forminhas (não é necessário se usar de silicone) ou uma forma de bolo inglês (se optar por fazer um pão). Misturar as farinhas, o açúcar, o fermento e o sal. Bater os ovos, levemente, à parte. Adicionar o leite e a manteiga, previamente derretida e arrefecida. Mexer bem. Juntar esta mistura à das farinhas. Colocar nas formas. Levar ao forno cerca de 18-20 min. até ficarem ligeiramente douradas. Se for pão aumentar o tempo cerca de 5-7 minutos.

TARTE DE ABÓBORA E TOFU COM ESPECIARIAS






A minha cozinha foi invadida por abóboras de todos os tamanhos e feitios. Sempre que consigo arranjar tempo ( e força...) agarro num daqueles gigantes e transformo-me num verdadeiro Hércules da cozinha com uma faca gigante e reduzo-as a inofensivos cubinhos bem comportados que guardo na minha arca congeladora à espera de inspiração. Desta vez lembrei-me do livro de Rose Elliot "O Chef da Cozinha Vegetariana" e resolvi repetir uma receita que já tinha experimentado há dois anos nesta época do Natal.
A Rose Elliot é uma cozinheira "colorida" como eu gosto e está a anos luz da oferta que existia para os vegetarianos, macrobióticos e vegans quando eu tinha dezoito anos...altura em que este tipo de alimentação era "cinzento" e triste e a oferta quase inexistente.
O aroma e o sabor das especiarias é fundamental para enriquecer este doce.

INGREDIENTES

massa:

.300 g de farinha integral fina de trigo

.150 g de manteiga ou margarina vegan (i.e. vegetal)

.1/2 colh. de chá de sal

.água fria (usei três colh. de sopa)

.açúcar em pó para polvilhar (usei demerara mascavado claro pulverizado na bimby)

.leite de soja ( usei 3 colh. de sopa)
.canela moída para polvilhar


recheio:

.500 g de abóbora cozida

.275 g de tofu

.125 g de açúcar amarelo (usei o mesmo referido em cima)

.1 colh. de sopa de melaço de cana

.1 colh. de sopa de canela
.1/2 colh. de chá de gengibre moído

.1/2 colher de chá de raspa de noz moscada

Cozi a abóbora em cubos e enquanto escorria misturei a farinha a manteiga e o sal na bimby durante 1 min na vel. espiga e depois uns segs. na vel.6 até ficar com aspecto de migalhas de pão grossas ( pode-se misturar com os dedos numa tigela). Depois juntei a água e bati na vel.6 até formar uma massa moldável. Coloquei esta sobre um tapete de silicone estendi-a em forma de círculo e coloquei-a numa forma de fundo amovível (de cerâmica e lados de silicone) ajustando-a bem e cortando o excesso ( que reservei).
Depois misturei a abóbora com os outros ingredientes do recheio e reduzi tudo a puré no copo da bimby à vel.5 durante uns segs. que introduzi na forma alisando a parte de cima.Voltei a amassar (à mão) os restos de massa estiquei e pincelei com leite de soja e polvilhei com açúcar e canela. Cortei às tiras e coloquei por cima do recheio atravessadas.
Foi a cozer em forno pré-aquecido a 180º durante 40 min. A cobertura tem que ficar estaladiça.

Pode comer-se quente ou frio.
Pessoalmente acho que fica óptimo ligeiramente aquecido com natas de soja ou gelado ou iogurte e até mousse de lima.
NOTA: podem experimentar utilizar massa folhada ou massa filo em alternativa à massa que aqui refiro.

GIRLS COCKTAIL

  Este post deveria ter sido publicado há muito tempo, mas por alguma razão esqueci-me de o fazer. Não sou grande apreciadora de bebidas alcoólicas, salvo raras excepções e sempre dentro de limites aceitáveis. Surgiu-me a ideia após ter comprado esta garrafa para oferecer a uma amiga e por ter achado interessante a combinação de sabores (vodka, cognac, lichias e framboesas) e sobretudo por ter um reduzido teor alcoólico. Bem...na verdade, quem conseguiria resistir a esta coisa tão cor-de-rosa a chamar pelo que de mais feminino existe em cada uma de nós?
Com a ajuda (e o ar de gozo) do meu irmão enólogo, relativamente ao cálculo das proporções inventei este cocktail que partilhei com a minha irmã Ana e a minha cunhada Carla...cheers para nós as girls !!!

Quantidades para 3 taças:

90 cl da bebida da garrafa (..ou mais se quiserem ficar muuuuiiiito alegres)
1 pacotinho de polpa de goiaba congelada (só para tornar a coisa mais inócua)
água tónica  q.b.
1 colh.de sopa de sumo de limão (ou lima)
amoras (para decorar)

Molhar os bordos de cada uma das taças com sumo de limão e de seguida rodá-los sobre um recipiente contendo um pouco de açúcar (...para dar aquele toque especial...). Triturar a polpa da fruta (ainda congelada) na Bimby (ou outro processador) juntamente com a bebida. Distribuir em partes iguais pelas taças. Juntar um pouco de água tónica e umas gotas de limão a cada uma. Decorar com uma ou duas amoras. 

SEITAN CASEIRO - TAKE 1 (com receita bónus de molho para bifes)


Todos aqueles que já me conhecem sabem que adoro o" home made". Uma das razões é a realização pessoal, outra é a busca de uma auto-suficiência que sempre foi inerente aos nossos antepassados e  para cuja destruição, o progresso, paradoxalmente tem contribuido.
Farta de procurar o seitan de compra mais fiável e depois de várias desilusões, resolvi meter mãos à obra e ir experimentando várias receitas até encontrar aquelas que definitivamente se adequassem aos gostos da minha família e viessem a enriquecer a lista de alimentos proteicos das duas vegetarianas praticantes cá de casa.
Se o fizermos nós próprios temos a possibilidade de conferir-lhe o nosso toque pessoal, com uma infinidade de sabores e formas e até texturas que nunca iremos encontrar à venda. Começo por partilhar uma das primeiras receitas que aprendi com a Delfina (do restaurante Granovita- que por sinal já não existe).   

INGREDIENTES
500 g de farinha de glúten
100 g de levedura de cerveja
100 g de farinha de trigo integral
100 g de nozes (ou amêndoas, ou caju cru) moídas
1 pimento vermelho (ou 1 beterraba crua descascada)
4 cebolas
2 cabeças de alho
2 cubos de caldo de legumes
100 ml de molho de soja
Misturar todos os ingredientes secos numa taça grande.
Triturar o pimento (ou a  beterraba), 2 cebolas 1 cabeça de alhos (descascados) e um dos cubos de  caldo de legumes num liquidificador (ou na Bimby) e adicionar cerca d 1,5 l de água a esta mistura. Utilizar cerca de 500 ml deste líquido para juntar à mistura seca. Amassar bem e trabalhar a massa numa bancada untada com azeite (se a massa colar às mãos polvilhar com um pouco de farinha de glúten e só esta). A massa ficará com uma textura elástica.. Deixar repousar cerca de 30 min. .Decorrido esse tempo  (antes de cozer) podemos optar por cortar (com uma faca) pequenos pedaços da massa para formar bifes (estendendo os pedaços com um rolo de massa untado de azeite) com a espessura que quisermos, fazer rolos (que depois de cozidos podem ser cortados em pedaços para fazer espetadas) ou deixar a massa inteira em forma de "lombo".
O seitan, antes de ser utilizado em qualquer receita tem sempre de ser previamente cozido num caldo.
Neste caso vai a cozer no caldo que sobrou e ao qual se adicionaram as outras duas cebolas e a cabeça de alho (ambas com a casca)  o outro caldo de legumes e algumas ervas aromáticas se desejar.
TEMPOS DE COZEDURA:
Bifes - Cozem em 5 min. na panela de pressão (desliga-se logo o lume antes da panela apitar, quando se começa a ouvir o barulho do vapor) ou 15 min. num tacho normal. Se não estiverem bem cozinhados aparecerá farinha no meio quando cortados. Por outro lado também não devem deixar-se cozer demais porque ficam uma papa.
Rolinhos -Cozem em cerca de 30 min.
Lombo - Coze em cerca de 1 h.
Atenção - O seitan tem de ser colocado na panela com a água a ferver

CONSERVAÇÃO

O seitan pode conservar-se durante 2 dias , crú, dentro de um saco de plástico guardado no frigorífico.
Depois de cozinhado da forma anteriormente referida pode ser confeccionado como "carne".

Não hesitem em utilizar os vossos próprios temperos. Por exemplo se optarem pela versão em bifes têm uma aqui uma receita que costuma ser o sucesso infalível e que podem deixar preparada para ter sempre à mão :

INGREDIENTES PARA O MOLHO DOS BIFES
100 a 150 ml de azeite
1 cubo vegetal
3 dentes de alho
sumo de limão q.b
salsa
1 c. de sopa de molho de soja
Misturar tudo num processador de alimentos (ou com uma varinha mágica) até formar uma pasta homogénea.
Pincelar os bifes de seitan com o molho. Podem envolver-se em pão ralado e levar ao forno recheados com queijo (ou alternativa vegam "mozarella style " da Tofútti).