HAMBURGUERES DE BATATA DOCE COM LENTILHAS E COUVE

                                    
Pois é ...os hamburgueres vegetarianos não têm que ser forçosamente feitos com tofu, soja ou seitan. Gosto da ideia de poder fazer combinações improváveis mas altamente nutritivas que estão ao alcance de qualquer despensa.
Perdoem-me a repetição do tema, mas são inesgotáveis as hipóteses quando se trata de querer partilhar estas descobertas tão óbvias mas tão bem recebidas em minha casa.

INGREDIENTES
1 cháv. mal cheia de lentilhas (verdes)
6 a 8 folhas de couve (usei a coração porque era a que tinha na horta)
1 batata doce média
1 cebola média
3 dentes de alho
2 ovos
1 molho de coentros frescos
1 colh de chá de garam masala
1 colh. de chá de caril
pimenta de cayena
sal qb
sumo de lima (ou limão)
3/4 de cháv. de pão ralado (ralei croutons integrais)
1/2 cháv. de amêndoas raladas (usei as minhas com a pele)
4 colh. de sopa de azeite
Lavar as lentilhas muito bem. Cozer com três cháv. de água cerca de 15 a 20 min. até ficarem tenras. Escorrer e reservar. Lavar as folhas de couve e retirar os talhos mais grossos. Descascar a batata doce e cortar em cubos. Levar a cozer ambas de preferência ao vapor (usei a bimby: coloquei a batata no cesto e deitei água no copo só até cobrir a batata. Na Varoma coloquei a couve cortada em tiras. Programei 8 min. /Varoma /vel  3).
Enquanto esses três ingredientes coziam deitei 2 colh. de sopa de azeite numa frigideira larga  e juntei a cebola picada, o garam masala, o caril e a pimenta e salteeei a cebola até ficar transparente. Adicionei a couve depois de bem escorrida e os alhos picados e envolvi bem mexendo durante alguns minutos .
Numa taça grande juntei as lentilhas e a batata doce e esmaguei com um garfo. Adicionei a mistura da cebola, os ovos (ligeiramente batidos), os coentros, o sal e o sumo de lima. No final juntei o pão e as amêndoas raladas. Se for necessário para criar mais textura, podemos adicionar mais pão ralado ou mais amêndoa. Verificar os temperos e moldar.
Aquecer as restantes colh de azeite na frigideira e levar os hamburgueres a corar dos dois lados. Transferir para um tabuleiro e deixar acabar de cozinhar no forno pré-aquecido a 190º.
Nota: Os hamburgueres também podem ser colocados na Actifry previamente untada com uma colh. de sobremesa de azeite (previamente ligada vazia durante 5 min.) durante o tempo suficiente até ficarem dourados e firmes.
Quanto aos acompanhamentos deixo ao critério de cada um...pessoalmente acho que ficam muito bem cobertos com um molho de iogurte, uma salada e couscous.

ROSCA AMENDOADA (CIAMBELLA MANDORLATA)


A Ciambella Mandorlata é um pão doce que usualmente se faz na época da Páscoa em Itália. Ao contrário do que é habitual nesse país, onde se coze em forma de círculo (como a couronne francesa) com uma abertura no meio (daí designar-se ciambella, i.e. rosca pequena) o meu pão cresceu desmesuradamente esnobando completamente a estética original.
Tirando  esse insignificante percalço o resto não podia ter corrido melhor. Ficou um pão delicioso com uma cobertura crocante de praliné de amêndoas divinal. 


INGREDIENTES
Massa

2 ovos batidos
100 ml de leite
raspa de 2 limões
3 colh. de sopa de sumo de limão
75 g de manteiga sem sal amolecida
1 colh. de chá de sal
1/2 colh. de chá de canela em pó 450 g de farinha de trigo T65
75 g de açúcar (usei mascavado)
1 1/2 colh. de fermento 

Cobertura

15 g de manteiga sem sal derretida e arrefecida
1 colh. de chá de canela em pó
3 colh. de sopa de açúcar
100 g de amêndoas peladas e picadas
1 gema de ovo
Juntar a raspa e o sumo de limão com o leite. Colocar todos os ingredientes da massa na cuba da Máquina de fazer pão começando pelos líquidos. Escolher o programa Massa.
Enquanto o programa está a decorrer misturam-se numa tigela todos os ingredientes da cobertura excepto a gema.
Quando o programa terminar tira-se a massa da cuba  para uma superfície enfarinhada (eu usei um tapete de silicone) e corta-se ao meio. Com cada uma das metades formam-se dois rolos que se enrolam um no outro em espiral para formar um C quase fechado. Coloca-se num tabuleiro untado (eu forrei com papel vegetal) e deixa-se repousar num local quente durante cerca de 50 minutos até duplicar de tamanho (eu aqueci o forno a 50º e depois desliquei).
Decorrido esse tempo misturar a gema com uma colh. de chá de água e pincelar a massa. Polvilhar com a mistura de amêndoa pressionando suavemente. Cozer em forno pré-aquecido a 200º durante 35 minutos até ficar dourado. Se começar a queimar (por causa do açúcar) cobre-se com papel de alumínio.
Depois de cozido deve colocar-se o pão numa rede para arrefecer.

MOUSSE OPEN MINDED


Hoje olhei para a fruteira e reparei que ainda lá estavam dois abacates que vieram das minhas árvores jovens. Resolvi dar-lhes um aproveitamento glamouroso com um toque de sotavento algarvio e em menos de 10 minutos transformei-os numa sobremesa vegan altamente prometedora.

INGREDIENTES


2 abacates maduros 
2 colh. de sopa de farinha de alfarroba
1 colh. de sopa de cacau sem açúcar
4 colh. de sopa de geleia de agave
leite de soja frio q.b. (pode não ser necessário)


Abrir os abacates ao meio, remover o caroço e separar o recheio da casca com a ajuda de uma colher.
Colocar este recheio com os restantes ingredientes, excepto o leite de soja, para dentro de um processador de alimentos e triturar tudo até ficar com uma consistência cremosa. Se estiver demasiado consistente vai-se adicionando o leite de soja .
Como usei a Bimby, triturei primeiro até desfazer os pedaços dos abacates e depois coloquei a borboleta e bati alguns segundos na vel.3.
Não podia ser mais simples e rápido...e o resultado final foi bastante satisfatório sem a adicção de ovos ou açúcar refinado das mousses de chocolate tradicionais.
Não hesitem em experimentar e em adequar as quantidades aos vossos gostos.

AS FLORES NÃO SÃO COMIDA DAS FADAS




Pois é...na minha cozinha a ditadura da alface já acabou há muito tempo...abaixo as saladas sensaboronas de alface tomate e cebola!...Vivam as cores quase infinitas de todas as flores comestíveis ...

Ingredientes:

Folhas de espinafre (pequenas)
folhas de beldroega
folhas de mizuna
morangos
abacate 
flores de coentros
goivos 
calêndulas 
violetas
brincos de princesa
flores de borragem
pinhões (ligeiramente tostados e arrefecidos)
rabanetes
courgetes amarelas (miniatura) 

Temperar todos os ingredientes (excepto as flores e os pinhões) com uma mistura de sal azeite e vinagre de mel , balsâmico ou de framboesa).
Juntar os pinhões e as flores e envolver delicadamente (...com mãos de fada...).
Ao fundo pode-se ver uma fatia de empada de vegetais e salsicha de soja preparada na Bimby:


Ingredientes

Massa:

300 g farinha de espelta
130 manteiga (usei margarina vegetal Vitaquell )
70 g de água
1 pitada de sal

Colocar os ingredientes no copo e programar 20 segs vel.5. Retirar e reservar.
sal

Recheio:

1 courgete pequena
1 cenoura pequena
10 cogumelos médios
1 cubo de caldo de legumes
1 alho francês pequeno
6 salsichas de soja 
30 ml de azeite 
1 gema de ovo (para pincelar-facultativo)

Picar os legumes (5 toques turbo). Adicionar 50 ml de água e deixar cozinhar temp.100º/vel.1/10 min. Retirar para um recipiente e reservar. Picar as salsichas na vel.5. Juntar ao preparado de legumes.

Esticar uma parte da massa e forrar o fundo de uma tarteira. Colocar o recheio. Tapar com a restante massa pressionando os cantos para fechar. 
Fazer alguns cortes por cima. Pincelar com gema de ovo.
Vai a cozer em forno pré-aquecido a 220º cerca de 20 min. 

Nota importante:

Quem quiser iniciar-se na comida com flores tem que ter presente que estas não se compram nas floristas. Já se encontram nalguns supermercados. Eu prefiro comprar as minhas bem frescas e viçosas no Mercado do Príncipe Real . Nesta salada apenas as flores dos coentros vieram da minha horta de varanda (têm um cheiro ainda mais acentuado do que as folhas).  

O MEU AVATAR


Hoje, no primeiro dia do Novo Ano, não resisti a partilhar com todas e todos aqueles que muitas vezes passam por aqui, que me ajudam a continuar nesta rede de afinidades, o AVATAR no qual me transformo e com o qual me identifico ancestralmente, consciente de que numa simples sopa ou no mais sofisticado dos pratos existe sempre a marca das nossas almas.
Gosto de partilhar convosco todas as coisas novas que vou aprendendo e as experiências bem sucedidas e sinto alguma vaidade (seria hipócrita se não o admitisse) quando, de alguma forma, provoco os vossos comentários.
Quando não tenho tempo para "entrar" na minha e nas vossas cozinhas sinto sempre uma certa angústia. Fazem-me falta as vossas "movimentações". Percebo que só aqui faz sentido e é entendido o meu fascínio pela alimentação, e todos as suas implicações culturais, criativas, comportamentais.    
Fica aqui o meu desejo que os vossos "cadernos brancos/2010" se encham de rabiscos felizes e inesquecíveis.
Feliz Ano Novo!